1889

Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuiram para o fim da monarquia

Laurencio Gomes – Editora “globo livros” – Rio de Janeiro, 2007

  1. Brasil 2. História 3. portugal 4. independencia

É quase impossível entender o Brasil de hoje

sem estudar as três datas que marcam a comtrução do Estado brasileiro durante o século xax. São elas os temas da trilogia que o escritor Laurentino Gomes condui ao publicar este volume, 1889, sobre a história da Proclamação da República. O primeiro livro, 1808, foi dedicado à fuga da corte de dom João para o Rio de Janeiro, acossado pelas tropas do imperador francés Napoleão Bonaparte. Começava ali a rápida e profunda transformação da antiga colónia portuguesa, cujo resultado seria a Independência, objeto do segundo volume da série, 1822. Por 67 anos, o Brasil se manteve como a única Monarquia duradoura nas Américas, mas tratava-se de um regime condenado pelas suas próprias contradições. O imperador Pedro 11, um intelectual respeitado, governou um país dominado pela escravidão, pelo analfabetismo e pelo latifúndio. O Império brasileiro se caracterizou por um sistema de toma lá dá cá, no qual fazendeiros e senhores de escravos apoiavam o governo e, em troca, recebiam títulos de nobreza não hereditários. A República chegou igualmente marcada pelas incongruências tanto quanto a Monarquia que a precedeu. Os propagandistas republicanos defendiam, entre outras promessas, o fim dos privilégios da nobreza, a ampliação do voto popular e a garantia à liberdade

de expressão. O novo regime nasceu, porém, descolado das ruas, mediante um golpe militar pelo marechal Deodoro da Fonseca, um homem de reconhecidas simpatias monarquistas. Dessa forma, o Brasil inaugurou uma peculiar República sem povo. A distância entre os sonhos e a realidade brasileira em 1889 é o pano de fundo dos capítulos que compõem esta obra.

Paranaense de Maringá e seis vezes ganhador do Prêmio Jabuti, Laurentino Gomes é autor de 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de dom João vi para o Rio de Janeiro; 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República. Seu primeiro livro também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e publicado em inglês, nos Estados Unidos, com o título The Flight of the Emperor. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em administração pela Universidade de São Paulo, é membro titular da Academia Paranaense de Letras.

Nas últimas semanas de 1889, os tripulantes de um navio brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foram pegos de surpresa pelas notícias que chegavam do outro lado do mundo. “Brasil República…”, anunciava o telegrama recebido pelo almirante Custódio José de Mello, comandante do cruzador Almirante Barroso. “Bandeira mesma sem coroa…”. acrescentava a mensagem. Despachado do Rio de Janeiro, o telegrama só confirmava os rumores que a tripulação tinha ouvido na escala anterior, na Indonésia. Dizia-se que o governo do Brasil havia sido derrubado. Mais do que isso, o país passara por uma drástica mudança de regime. O Império brasileiro, até então tido como a mais estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de 15 de novembro. A Monarquia cedera lugar à República. O austero e admirado imperador Pedro ।। fora obrigado a sair do país. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, os destinos da nova República estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.

Laurentino Gomes 

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