O estado espetáculo

Roger-Gerard Schwartzenberg – editora “DIFEL” – Italia,1986

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A política torna-se um espetáculo e muitas vezes um one-man show. Com a personalização do poder o mundo da política se apoia, como o mundo do espetáculo, sobre o star-system. Tudo se apaga partidos e programas perante as supervedetas que distribuem entre si os grandes papéis.

É o herói: de Gaulle, Mao, Stalin, Franco, depois Brezhnev, Fidel ou Amin. É o Sr. Todo-o-Mundo: Pompidou, Ford, Carter ou Anwar El Sadat. É o líder do charme: Kennedy, Trudeau, Giscard d’Estaing. É o pai, como Raymond Barre ou mesmo Aldo Moro.

Estes “stars” inventam a media-política, política feita sob medida para as media (imprensa, rádio, televisão). Frequentemente inspiram-se no teatro e no cinema. Por vezes, agências de Campaign Management chegam a criar sua imagem de marca.

Resultado: o cidadão se transforma em simples espectador de um poder sempre em representação. É apenas a testemunha passiva e manipulada dessa exibição permanente. E deste modo morre a democracia. É portanto necessário – urgentemente derrubar o Estado espetáculo. Não é tarefa para um livro. É tarefa de cada um, porque a política é tarefa de todos nós.

Roger-Gérard Schwartzenberg, 33 anos, é professor na Faculdade de Direito de Paris (Paris II), bem como na Sciences Po e na École de Mines. Editorialista do L’Express (até 1974) e do Le Monde, ele é, desde 1976, delegado geral do Movimento dos radicais de esquerda.

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