
Com este seu primeiro romance, José Falero já se apresenta como um dos nomes mais relevantes da nova literatura brasileira ao criar um narrador culto e perspicaz – que contrasta com o dialeto a um só tempo urbano e filosófico da periferia -, o autor mostra seu verdadeiro talento incomum, fazendo uma verdadeira arqueologia da pobreza “seus bisavós tinham sido pobres a vida inteira, seus pais tinhas sido pobres a vida inteira: até onde iria isso?”.
Falero nos levara direto ao supermercado fênix, na região central de Porto Alegre. É ali que trabalham Pedro e marques, dupla que aos poucos veste a carapuça de um Dom Quixote e de um Sancho pança amotinados. Moradores de “vila” (a favela no sul), eles invertem o jogo mesmo que as consequências sejam graves. preciso dar um jeito de experimentar as coisas que faz a existência valer a pena, e não vai ser trabalhando que eu vou conseguir isso.”
Os dois conhecem as pessoas que traficam na periferia onde moram, por isso insiste em se manter na legalidade. Mas, diante de uma “seca” de maconha devido ao desinteresse dos traficante em comercializa-la, e já cansados da exploração do trabalho, os dois amigos decidem melhorar de vida. E também uma recusa a desumanização do trabalho assalariado. uma recusa a todo processo de exploração.
A justiça em Os supridores passa por uma ética baseada na integridade humana, no direito a existir com dignidade, custe o que custar. A tensão que se estabelece na construção de diálogos duros, inteligentes e irônicos põe o leitor nem estado de alerta e cumplicidade diante dessa empreitada, pois seus personagens parecem estar sempre a beira do precipício. “dar um jeito” não é para se manter vivo nem mundo que teima em transformar pessoas em maquinas.
Jeferson Tenório
Pedro e Marques trabalham em um supermercado. cansados de ganhar uma merreca, armam um plano infalível: vender maconha de qualidade. O plano da certo. mas serão capazes de vender um bocado de droga e ainda assim saírem ilesos?
Narrado com a mão segura, Os supridores é um romance sobre a busca por melhores condições de vida. Também é uma sátira social, além de um retrato cativante de personagens sobre os quais prestamos pouca atenção em nossas cidades. Um triunfo da novíssima literatura brasileira.
“A vontade entre a norma culta e a gíria das vilas na periferia de porto alegre, como quem transita com destreza e naturalidade entre um clássico picaresco oitocentista e os filmes de tarantino, José Falero escreveu um romance único, cômico, sensacional e eletrizante. Como seu protagonista, cansado de refrão nacional de ‘ter que escolher entra ser bandido ou ser escravo’, caminhou decidido para uma apoteose inédita na literatura brasileira.”
Deixe um comentário