{"id":129,"date":"2024-12-11T11:45:53","date_gmt":"2024-12-11T14:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalistasassociados.info\/associados\/?p=129"},"modified":"2024-12-12T10:13:45","modified_gmt":"2024-12-12T13:13:45","slug":"a-capoeita-escrava-e-outras-tradicoes-rebeldes-no-rio-de-janeiro-1808-1850","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalistasassociados.info\/associados\/a-capoeita-escrava-e-outras-tradicoes-rebeldes-no-rio-de-janeiro-1808-1850\/","title":{"rendered":"A CAPOEIRA ESCRAVA, e outras tradi\u00e7\u00f5es rebeldes no Rio de Janeiro (1808 &#8211; 1850)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"656\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/jornalistasassociados.info\/associados\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2024\/12\/capoeira-escrava.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-134\" srcset=\"https:\/\/jornalistasassociados.info\/associados\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2024\/12\/capoeira-escrava.jpg 656w, https:\/\/jornalistasassociados.info\/associados\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2024\/12\/capoeira-escrava-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>hist\u00f3ria   2. cultura   3. escravid\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Carlos Eugenio Libano Soares &#8211; editora &#8220;UNICAMP&#8221; &#8211; S\u00e3o Paulo, 2001<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Eug\u00eanio Libano Soares j\u00e1 escreveu um verdadeiro cl\u00e1ssico sobre a capoeira carioca na segunda metade do s\u00e9culo XIX, o premiado A negregada institui\u00e7\u00e3o: os co os capoeiras na corte imperial, 1850-1890 (Access, 1999). Agora, ele recua \u00e0 primeira metade desse s\u00e9culo para aprofundar seu estudo sobre o assunto e acrescentar outras manifesta\u00e7\u00f5es de rebeldia escrava, tamb\u00e9m no Rio. O autor \u00e9 acima de tudo um excepcional pesquisador. Neste livro, ele o demonstra sobejamente, fazendo desfilar diante do leitor documentos in\u00e9ditos e surpreendentes que descobriu nos diversos arquivos em que pesquisou, nem sempre sob condi\u00e7\u00f5es ideais de trabalho. Mas n\u00e3o mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o passiva diante das fontes. Ele as interroga com estilo de detetive bem treinado e criativo, como deve ser o bom historiador. Tamb\u00e9m n\u00e3o interroga o passado friamente. H\u00e1 simpatia e, em muitas passagens, paix\u00e3o no que escreve. O resultado \u00e9 uma hist\u00f3ria envolvente, feita de muitas pequenas e significativas hist\u00f3rias vividas na dor por escravos que, no entanto, n\u00e3o desistiram de afirmar, atrav\u00e9s de muitos meios, sua vontade e, assim, sua humanidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em 1962, Carlos Eug\u00eanio Libano Soares estudou em Ouro Preto e concluiu o curso de gradua\u00e7\u00e3o pela UFRJ em 1988. \u00c9 mestre (1993) e doutor (1998) pela UNICAMP. Recebeu duas vezes a dota\u00e7\u00e3o de pesquisa do Centro de Estudos Afro- Asi\u00e1ticos da Universidade C\u00e2ndido Mendes, em 1994 e 1998. Pesquisou em Portugal e Angola para sua tese de doutorado. Sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado (A negregada institui\u00e7\u00e3o: os capoeiras na Corte imperial, 1850-1890) foi publicada pelo Arquivo Municipal do Rio de Janeiro, por ocasi\u00e3o do Pr\u00eamio Biblioteca Carioca (1994), e depois pela Editora Access (1998). O autor foi tamb\u00e9m premiado pelo Arquivo Estadual do Rio de Janeiro por um trabalho sobre moradia coletiva de negros no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XIX (Zungu: rumor de muitas vozes), no concurso Mem\u00f3ria Fluminense (1998). Foi professor visitante da Universidade Federal do Par\u00e1. Tem v\u00e1rios artigos publicados em revistas e jornais. Atualmente, chefia o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica da Universidade Severino Sombra, onde dirige o projeto de forma\u00e7\u00e3o do Centro de Mem\u00f3ria da Hist\u00f3ria do Trabalho do Vale do Paraiba. \u00c9 bolsista do CNPq, com um projeto sobre as africanas da Costa da Mina no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>Flagelo da ordem policial, terror das &#8220;boas familias&#8221; da capital Imp\u00e9rio, a capoeira, no Rio de Janeiro da primeira metade s\u00e9culo XIX, representou um desafio permanente para a ordem escravista wher Entretanto, longe de uma simples forma de &#8220;resist\u00e8ncia&#8221;, ela teve um peso significativo nos conflitos dentro da pr\u00f3pria comunidade escravia, expressos na divis\u00e3o da cidade colonial em maltas que se digla\u00f0iavam pelo controle de \u00e1reas determinadas em ferozes batalhas noturnas, que forjaram um verdadei\u0442\u043e poder paralelo, amea\u00e7ador da ordem social dominante. Formada em sua maioria por jovens escravos nascidos na Africa Centro-Ocidental, a capoeira, a partir de 1821, entrou em uma fase de extrema politiza\u00e7\u00e3o, processo que culminou com as rebeli\u00f5es de 1828 e 1831. Na vaga repressiva que se seguiu, o Arsenal de Marinha teve papel saliente como p\u00f3lo central de pris\u00e3o e castigo. A chegada ao Rio dos minas-majos rindas Bahia redundou em sensiveis mudan\u00e7as politicas e culturais namula que era a mais importante tradi\u00e7\u00e3o rebelde dos escravos urbanos do Rio de Janeiro imperial. Nos anos 1840 os capoeiras, tal como o conjunto dos cativos e libertos da cidade, estariam em busca de novos aliados, mesmo dentro dos estreitas limites dos grupos dominantes, e este complexo catalizou o nascimento do mito do imperador Pedro II como &#8220;protetor dos escravos&#8221;. Esta fascinante saga da capoeira escrava deitou profundas raizes na cultura popular na cidade do Rio e imprimiu marcas indel\u00e9rveis na juossa identidade como na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Eugenio Libano Soares &#8211; editora &#8220;UNICAMP&#8221; &#8211; S\u00e3o Paulo, 2001 Carlos Eug\u00eanio Libano Soares j\u00e1 escreveu um verdadeiro cl\u00e1ssico sobre a capoeira carioca na segunda metade do s\u00e9culo XIX, o premiado A negregada institui\u00e7\u00e3o: os co os capoeiras na corte imperial, 1850-1890 (Access, 1999). 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